Tides of Darkness e a Filosofia

ATENÇÃO: este artigo contém informações reveladoras sobre o enredo de “Tides of Darkness”.

 

Em nossa quarta análise da série Warcraft, inseridos na guerra entre orcs & humans, vamos nos aventurar em um dos maiores conflitos da história de Azeroth: a Segunda Guerra. Nesta luta de dimensões mundiais, as diferentes nações e povos mobilizam-se para impedir o avanço de um inimigo em comum: a Orcish Horde. No clima de batalhas que envolvem todas as nações da humanidade, para proteger o mundo contra seus invasores, com a ajuda de elfos e de anões, Aaron Rosenberg apresenta-nos um enredo em ebulição do começo ao fim, como um caldeirão cheio de elementos mágicos e fantásticos.

Neste embate entre a humanidade e os orcs, iniciado com a invasão do mundo por esses seres alienígenas e a destruição do Reino de Azeroth na Primeira Guerra — desenvolvido no romance anterior e analisado em The Last Guardian e a Filosofia —, os orcs decidem, posteriormente, rumar para o Norte e dominar todo o mundo. Vimos que, em meio a essa luta, Medivh, Garona, Khadgar e Anduin Lothar protagonizaram uma aventura que proporcionou o desenvolvimento de reflexões sobre problemas filosóficos fundamentais, como liberdade e determinismo, essência e existência e liberdade da vontade. Agora, liderados por Orgrim Doomhammer, não mais sob o comando injusto de Blackhand e Gul’dan, a Horde busca conquistar o mundo de modo que seu povo possa, finalmente, deixar de lado as guerras e prosperar honradamente nesse novo planeta, rico em provisões e terras férteis — em contraste à desolação do planeta originário dos orcs. No entanto, Gul’dan e seus warlocks, apesar de jurarem sua lealdade a Doomhammer, continuam a levar a efeito seus esquemas e subterfúgios de modo fundamentalmente injusto.

Com efeito, deste embate entre justiça e injustiça temos neste enredo um prato cheio para a compreensão de como, por diferentes meios, é possível levar a efeito o comando de um povo ou de uma nação. Doomhammer, Gul’dan, os monarcas humanos e das outras raças governam seus povos, uns de modo justo e outros de modo injusto. Na luta por supremacia, nem sempre as ações justas são capazes de vencer uma guerra. Há momentos em que parece ser necessário agir injustamente, tendo em vista a vitória e a supressão do inimigo. Apesar disso, para que seja possível realizar qualquer feito em geral, parece ser necessário haver algum nível, por mais tímido que ele possa ser, de justiça entre os indivíduos envolvidos em tal iniciativa. Mergulhados nesse caldeirão mágico e fantástico da Segunda Guerra em Azeroth, podemos formular as seguintes reflexão: será que a injustiça, de certo modo, é superior à justiça em uma luta por supremacia? Será que é possível realizar efetivamente qualquer feito de modo completamente injusto?Leia mais »

The Last Guardian e a filosofia

ATENÇÃO: este artigo contém informações reveladoras sobre o enredo de “The Last Guardian”.

Artigo publicado na edição Nº74, de setembro de 2016, Fantasia Fantástica e Filosofia, da Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318.

 

The Last Guardian é provavelmente o romance mais filosófico de todo o universo de Warcraft. Do início ao fim, questões como verdade e ilusão, essência e existência, determinismo e liberdade, universalidade ética e relativismo cultural, prendem o leitor nessa fantasia mágica e emocionante. Ao longo de suas mais de 300 páginas, podemos vislumbrar a essência da magia de Warcraft, viajando desde seus princípios e fundamentos até a solidificação do maior conflito dessa série: Orcs vs. Humans.

Nesse capítulo da história, podemos entender o desenvolvimento do enredo no período da Primeira Guerra, cenário em que a Orcish Horde derruba a poderosa capital Stormwind, acabando com a raça humana no reino de Azeroth — cenário sobre o qual o filme Warcraft é baseado. Nos capítulos anteriores, em Rise of the Horde e a Filosofia e em Unbroken e a Filosofia, por uma perspectiva de enredo entendemos o surgimento da Horde em Draenor, seu conflito com os draenei, as consequências de seu pacto com a Burning Legion, a construção do Dark Portal e a sobrevivência do povo draenei. Pela abordagem filosófica, por seu turno, entendemos as implicações do uso da democracia em sociedades nas quais os indivíduos não possuem a autonomia necessária para tomar decisões racionais para um grupo, conflitos morais e o choque entre diferentes culturas, refletimos sobre a trivialidade das diferenças étnicas, assim como a posição do sofrimento no pensamento ocidental.

Agora, o enredo de The Last Guardian — terceiro capítulo da série, na forma de um romance escrito por Jeff Grubb —, demonstra a invasão dos orcs em Azeroth e seu conflito com a humanidade. A estrutura central do enredo, no entanto, gira de em torno de questões muito mais fundamentais: será que o universo opera cosmologicamente como um mecanismo implacável, representado pela figura de um relógio? Será que, pelo contrário, ele opera como uma ampulheta, sem a determinidade dos ponteiros e de uma estrutura racionalmente ordenada? Será que temos liberdade para construir a nós mesmos através de nossas ações ou será que somos determinados a representar o papel que nos foi arbitrariamente escolhido? E, finalmente, será que, apesar de sermos livres para racionalmente escolher como agir, somos livres em detrimento ao nosso corpo, às nossas necessidades e aos nossos desejos: será que a nossa vontade é livre? Para refletirmos sobre essas questões, devemos primeiramente embarcar de cabeça na magia da torre de Karazhan.Leia mais »

Unbroken e a filosofia

ATENÇÃO: este artigo contém informações reveladoras sobre o enredo de “Unbroken”.

Artigo publicado na edição Nº74, de setembro de 2016, Fantasia Fantástica e Filosofia, da Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318.

 

Na primeira análise da série de Warcraft, Rise of the Horde e a Filosofia, pudemos entender, através do início do desenvolvimento do enredo desta série, a relação entre os draenei, a Burning Legion, os orcs e Azeroth, assim como analisar filosoficamente as relações entre a democracia e a autonomia de pensamento e suas implicações políticas e morais. No que diz respeito ao enredo, contudo, a história terminou inconclusiva, na medida em que se tratava apenas do primeiro romance de uma série de mais de 40 histórias.

Micky Neilson escreveu a continuação de Rise of the Horde, na forma de uma história angustiante e reveladora, campo fértil para a reflexão filosófica: Unbroken. Essa história parte da continuação do ponto central da anterior, quando a Orcish Horde, após destruir todas as cidades e refúgios dos draenei e utilizar o sangue de Mannoroth como propulsor para aumentar sua força consideravelmente, converge suas forças para Shattrath City, a capital dos draenei. O romance de Christie Golden, narrado sobretudo pelo ponto de vista dos orcs, não apresenta os acontecimentos concernentes à batalha de Shattrath City, à destruição dos draenei, a seu futuro e ao desfecho desse ciclo. É Unbroken que estabelecerá a ligação entre as histórias e cronologicamente tece um elo no enredo de Warcraft de Rise of the Horde até Night of the Dragon.

Nessa história, o sofrimento aparece como ponto central para a reflexão e a ação do personagem principal, Nobundo. Unbroken pode proporcionar-nos os ingredientes para analisarmos a maneira pela qual lidamos com o sofrimento, com a pressão social e com os desafios frente ao fracasso na contemporaneidade. Antes de analisá-la, precisamos conhecer a história e entender a maneira pela qual o sofrimento se articula com o desenvolvimento desse personagem.Leia mais »

Rise of the Horde e a filosofia

ATENÇÃO: este artigo contém informações reveladoras sobre o enredo de “Rise of the Horde”.

Artigo publicado na edição Nº74, de setembro de 2016, Fantasia Fantástica e Filosofia, da Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318.

 

Apesar de muitos considerarem a fantasia fantástica perda de tempo e distante da realidade, ela é muito proveitosa para a filosofia, na medida em que, assim como a fantasia realista, nos apresenta contradições pelas quais podemos desenvolver o estranhamento necessário para refletirmos filosoficamente. No entanto, apesar de ambos os tipos de fantasia proporcionarem os elementos necessários à reflexão, é a fantasia fantástica que tem mais liberdade para extrapolar os limites da realidade, podendo criar situações pelas quais as contradições possam ser mais gritantes. Além disso, sua leitura auxilia a desenvolver a nossa faculdade da imaginação, permitindo, por conseguinte, termos mais imaginação para pensar em possíveis soluções para problemas filosóficos. Por isso, o campo para a reflexão parece ser mais fértil na fantasia fantástica.

Rise of the Horde, de Christie Golden, é um romance fantástico no qual questões como a liberdade, o preconceito, a intolerância e o ódio, a democracia, a moral e o poder, podem levar o leitor a refletir sobre o seu próprio papel na sociedade, assim como sobre a importância da autonomia de pensamento em meio a todas as imposições dos nossos governantes. Contudo, para discutirmos os possíveis problemas que sua leitura pode suscitar, temos que, no mínimo, conhecer a história.Leia mais »