O Pequeno Príncipe e a filosofia

ATENÇÃO: este artigo contém informações reveladoras sobre o enredo de “O Pequeno Príncipe”.

 

A descentralização do poder no logos e a centralização do poder no absolutismo em O Pequeno Príncipe*

 

A profundidade filosófica e a sutileza da escrita pela qual as reflexões presentes no enredo de O Pequeno Príncipe são desenvolvidas conseguem proporcionar, por um lado, uma obra genuinamente infantil, com o desenvolvimento de temáticas agradáveis a qualquer tipo de público, desde as crianças até as “pessoas grandes”, e, por outro, problemas filosóficos subjacentes ao enredo que são capazes de suscitar discussões acadêmicas do mais alto nível.

Com efeito, qualquer análise com a pretensão de desenvolver uma abordagem total da obra em seus aspectos filosóficos estará fadada ao fracasso, caso deseje desenvolvê-la de modo a tratar os problemas suscitados nesta obra com a densidade filosófica que lhes cabe. Na medida em que muitos dos problemas levantados — como, por exemplo, os problemas essência e aparência e verdade e falsidade — estão sendo discutidos na história da filosofia desde Parmênides e Platão, a pretensão de uma análise total parece não conseguir abarcar o todo das possibilidades de leitura filosófica desta obra.

Deste modo, parece ser mais razoável a problematização que, por sua vez, detenha-se em uma das possíveis questões filosóficas presentes por detrás do enredo d’O Pequeno Príncipe, de modo que esse recorte proporcione, de certo modo, mais coerência e coesão para a reflexão. Terêncio diria que nada humano lhe é estranho. Essa talvez seja a melhor descrição do alcance da reflexão filosófica: tudo que diz respeito ao homem no mundo, ou ao mundo com o homem nele. Assim, por mais que, a princípio, alguns dos problemas presentes nessa obra pareçam estranhos para a reflexão filosófica, no final percebe-se que, na verdade, nenhum deles é estranho à filosofia. Portanto, vamos filosofar! Mas, antes disso, precisamos conhecer o pano de fundo geral do enredo.

A história inicia-se com a narrativa de um personagem identificado como um aviador, ou simplesmente um piloto, relatando sua experiência de infância e do conflito existente entre a dimensão infantil e adulta nas relações interpessoais entre indivíduos destas duas esferas. Eis que, após uma expedição à África, este piloto acidenta-se e precisa encontrar um meio de, no meio do deserto do Saara, consertar seu avião. Neste momento surge na história a figura do Pequeno Príncipe.

Este indivíduo peculiar, nada mais do que uma criança, diferente de qualquer outro encontrado pelo piloto, inquire-lhe sobre desenhos. O próprio piloto, que tivera situações intrigantes com desenhos em sua infância, atende, então, o pedido do principezinho e desenha-lhe um carneiro. No entanto, não é apenas este pedido que intriga o piloto, mas sobretudo as diversas histórias fantásticas que o principezinho começa a dividir com ele.

Ele conta que viera de outro planeta, de um lugar longínquo. Neste lugar, demasiadamente pequeno, coexistiam com esta figura ilustre somente alguns pequenos vulcões, não maiores do que a altura de seus joelhos, pequenos brotos de baobás — estes mais preocupantes, cujo crescimento deveria ser impedido para não pôr em risco seu próprio planeta — e uma rosa. A pequena rosa era muito especial para o principezinho.

Vindo como uma semente e crescendo em seu planeta, a bela rosa fora observada crescer pelo principezinho, até o momento em que brotou e lhe revelou toda sua beleza. Cativante, ela logo conquistou o coração do principezinho, com sua beleza e com suas exigências. Com o tempo, ele percebera que a pequena rosa mentia para parecer mais bela e mais importante. Confuso, o pequeno príncipe passou a achá-la muito complicada. Ele decidiu partir.

Em sua viagem através dos céus, ele passa por outros planetas, nos quais encontra indivíduos muito diferentes. Primeiramente um rei, que reinava absolutamente somente a si mesmo; depois um sujeito vaidoso, que conseguia apenas escutar elogios; então um bêbado, que bebia para esquecer que tinha vergonha de beber; um empresário, que passava a vida a contar as estrelas, cuja posse o empresário reclamava para si; um acendedor de lampiões, que vivia tão somente acendendo e apagando um lampião, dado que, de um lado, ele era um indivíduo que, acima de tudo, seguia as leis e, de outro, o planeta era pequeno demais, com seu ciclo diário de apenas um minuto; e por fim um geógrafo, que não conhecia seu próprio mundo, dado que ele somente catalogava o que os exploradores lhe apresentavam. Cansado de viajar, buscando encontrar alguém para tornar seu amigo, o principezinho fora indicado para viajar para a Terra.

Finalmente o pequeno príncipe chegou à Terra; planeta grandioso, muito maior do que os anteriores. Ele chega a um deserto e encontra uma cobra. Surpreso, por não encontrar ninguém, ele indaga-a pelo fato de não haver homens neste planeta. O principezinho então descobre que está em um deserto, então parte em busca de outras pessoas.

Ele andou pelo deserto e encontrou uma pequena flor e perguntou-lhe onde estavam os homens; ela respondeu-lhe que havia seis ou sete homens, já que os vira há muito tempo em uma caravana, mas que eles não tinham raízes, então o vento os levava. Depois ele decidiu subir uma montanha e cumprimentar os céus, mas os achou muito chatos, já que o eco lhe respondia a repetição do que ele falava; o mesmo aconteceu com o vento e com tudo aquilo para o qual ele falava.

Após andar por um longo tempo no deserto, ele encontra uma estrada; esta certamente o levaria para os homens. Eis que ele encontra rosas. Ao descobrir que eram rosas, ele percebe que sua rosa mentira, já que não era única no universo como lhe dissera. Desesperado, uma raposa encontra-o a chorar e cumprimenta o pequeno príncipe. Triste, ele então fala com a raposa e pede para ela brincar com ele. Mas ela responde que não poderia, já que ninguém havia a cativado.

Neste momento, ele descobre que cativar é “criar laços”. Apesar de haver cem mil raposas no mundo e cem mil garotos, se ele a cativasse, ela tornar-se-ia única no mundo para ele, assim como ele também se tornaria único no mundo para ela. Ela ensina-o a cativá-la, e ele então a cativa, descobrindo as vicissitudes do mundo do afeto. Não seria em vão, ensinara-lhe a raposa, se ele tivesse que partir e eles jamais se vissem novamente, na medida em que ela se lembraria dele nos campos de trigo, pensando em seus cabelos amarelos, e ficaria feliz.

Ao ser iniciado nesse mundo das emoções, ele dá-se conta de sua relação com sua rosa, e parte para dizer às outras rosas que elas não eram como a sua rosa, visto que ela era única no universo. Elas poderiam ser belas, mas eram esvaziadas de significado, enquanto sua rosa, por seu turno, fora cuidada e o principezinho gastara muito tempo com ela, criando laços. Elas, por outro lado, não haviam experienciado isso com ele. Então o pequeno príncipe descobre o segredo: o essencial é invisível aos olhos, porque está no coração; tornamo-nos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.

Mais peculiaridades dos homens são reveladas a ele, e então ele percebe que as pessoas grandes são muito diferentes das crianças. Sua relação com o tempo torna-as infelizes em comparação com as crianças. Neste ponto na história, ele termina de contar ao piloto sobre suas aventuras fantásticas pelo universo. Dias passaram, e ambos estão com muita sede. Depois de muito procurar, encontram um poço e, mais uma vez, o principezinho explicita a seu amigo piloto o significado de suas descobertas, a saber, o essencial não é o aparente, na medida em que, assim como o poço que estava escondido no deserto e as estrelas que também escondiam sua rosa no céu, as coisas belas que realmente importavam não podiam ser vistas com os olhos, mas sentidas com o coração.

Nessa jornada, o piloto descobre que encontrara o principezinho no meio do deserto porque ele estivera fazendo sua jornada de volta para o local de onde viera. Ele percebe que, assim como a raposa e a rosa, ele fora cativado pelo principezinho e desesperou na iminência de perdê-lo. Mesmo assim, a pedido do pequeno príncipe, ele desenha uma focinheira para que o carneiro que desenhara não comesse a rosa do principezinho em seu planeta. No dia de sua partida, ele encontra o principezinho conversando com a cobra que ele encontrara ao chegar na Terra. Ao questioná-lo, ele descobre que a cobra seria responsável por, de certo modo, enviá-lo de volta a seu planeta, já que seu corpo seria pesado demais para acompanhá-lo na jornada de volta.

Sabendo que o principezinho estava a ponto de partir, ele percebe que, assim como a raposa, ele também receberia um presente do principezinho: na medida em que fora cativado, ele também ficaria feliz, mesmo separado para sempre do principezinho; se de um lado a raposa lembraria de seus cabelos loiros no trigo dos campos, ele, de outro, lembraria da risada do principezinho ao olhar para as estrelas todas as noites. Por fim, o principezinho é picado pela cobra na calada da noite e deixa de ser, com seu corpo tornando-se somente uma casca caída no deserto.

Apesar de recuperado anos após os acontecimentos, o piloto revela que havia um fato que fazia toda a diferença: ele esquecera de juntar a correia de couro à focinheira que desenhou para o carneiro do pequeno príncipe. Assim, nunca saberá se o carneiro comeu ou não a rosa. E, do mesmo modo, também ganhamos um presente: todas as vezes que nós, os leitores, olharmos para as estrelas, poderemos nos perguntar sobre a rosa, o carneiro e o principezinho.

Profundamente filosófica, em cada passagem e a cada ponto de inflexão no desenrolar do enredo, esta história pode ser discutida filosoficamente ad infinitum. É verdade que parece que tudo pode ser discutido filosoficamente ad infinitum, mas essa história particularmente — assim como tantas outras com a mesma profundidade — parece ser mais inesgotável do que outras fantasias costumam ser. A começar pelo fato de ser platônica da primeira à última página, por colocar em questão a nossa maneira de pensar que foi sedimentada pelos gregos e continua a provocar reflexões até os dias de hoje, assim como os nossos valores, poderíamos levar a efeito muitas e muitas discussões tão caras a todos nós.

Neste campo muito fértil, escolhi um ponto que chamou a minha atenção em especial. Após o principezinho decidir partir de seu planeta e visitar a região dos asteroides, ele encontra um primeiro planeta, no qual habita um monarca absoluto. Este ocupava todo o espaço do planeta, assim como, de maneira análoga, os governos absolutistas buscaram realizar-se ao longo da história, sobretudo no Estado Nacional Francês no surgimento da modernidade, ocupando todo o território nacional, através de um monopólio das terras, das armas e da economia, como defende Norbert Elias.

Ao deparar com o Pequeno Príncipe, o monarca rapidamente o chama de súdito. O principezinho espanta-se, sem entender como o monarca sabia que ele era seu súdito. Eis que, na verdade, todo e qualquer indivíduo é súdito de um monarca em um governo absolutista. Todos existem para servi-lo. Tudo pertence ao monarca, tendo os súditos somente a posse dos bens que lhes cabem, apenas e tão somente sob a vontade do governante.

Em meio à conversa, o monarca dá-lhe diversas ordens, representando o caráter totalitário de um governo absolutista. Apesar disso, pela personalidade peculiar do monarca, sua reflexão demonstra uma contradição na estrutura de um governo absolutista, ao apontar o problema que um governo totalitário pode trazer a si mesmo, caso não se fundamente na razão. Ele diz ao principezinho:

“Se eu ordenasse que um general se transformasse numa gaivota e o general não me obedecesse, a culpa não seria do general, mas minha. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão”.

De certo modo, é interessante notar o modo pelo qual o autor coloca na boca de um monarca absolutista essa reflexão política muito coerente. Esta reflexão levanta, por sua vez, outros problemas.

Até onde a autoridade de um governo autoritário centralizador de poder funcionaria em uma estrutura na qual a razão é o fundamento para as relações interpessoais em sua totalidade? Será que é possível a autoridade absolutista, ou no caso de qualquer outra autoridade totalitarista centralizadora de poder, ser sustentada pelo exercício da razão nas relações interpessoais, isto é, pela persuasão através do discurso como efetivação do poder?

O mundo grego antigo, pela primeira vez na história da humanidade, desenvolveu uma estrutura de governo fundamentada no discurso como efetivação de poder. O aparecimento da polis estabelece um novo paradigma social em Atenas no mundo grego antigo. O poder da decisão das questões de interesse geral passa das mãos do soberano para a discussão e argumentação por meio de debates; a política torna-se um exercício da linguagem e o logos, o discurso, estrutura-se e torna-se eficaz por meio da política; a retórica e a sofística sistematizam os discursos, definindo regras de demonstração da verdade e desenvolvendo técnicas de persuasão.

Na medida em que a vida social torna-se pública, há, de um lado, uma democratização do domínio público e, de outro, uma divulgação do universo espiritual e intelectual. Jean-Pierre Vernant demonstra que este processo terá consequências decisivas na vida neste período: o universo político tem sua estrutura reassimilada pelas regras da discussão e da organização. A nova lógica comunitária transformará a forma na qual o universo espiritual e as magistraturas se dão na polis, até mesmo exigindo uma prestação de contas dessa magistratura por meio do logos, já que ela não se estabelece mais pela força e sim pela persuasão.

A escrita, por meio desse movimento de publicidade e democratização, torna-se um bem comum de todos os cidadãos e um instrumento de divulgação de conhecimentos, assim como uma das bases da paideia, a formação do homem grego. Ela transforma as leis em um bem comum, regra geral, passível de ser aplicada a todos, e não mais dependentes de uma autoridade privada. Isso possibilitou uma mudança na lógica da diké, a justiça, que era fundamentalmente divina, passando agora também a se fazer presente no universo humano e na vida da polis.

Em decorrência desse processo, possibilitado pela lógica militar dos hoplita, cujos efeitos são as noções de isonomia e de comunidade, pela expansão do comércio, pelo ressurgimento da moeda, a vida em Atenas nesse período descentralizou radicalmente a autoridade centralizadora dos basileus, os soberanos governantes, efetivando a transição da lógica da vida palaciana do Período Arcaico para a vida política na polis do Período Clássico. Neste novo cenário, a razão era o fundamento para as relações interpessoais dos cidadãos. A persuasão através do discurso pautava as decisões e a gestão da vida coletiva da Ática. O convencimento e, por consequência dessa lógica, a atividade da retórica e da oratória, fundamentavam a vida política neste período.

Por outro lado, os governos absolutistas e totalitaristas, nos quais a lógica do despotismo precisa necessariamente sustentar a estrutura autoritária no poder centralizado, sustentam-se sob a égide de haver uma só voz reverberando através de todos os cantos do reino. Os pilares de um governo no qual há uma centralização total do poder na figura de um único indivíduo são o monopólio da violência, da economia e das terras. Isso significa que, diferentemente do período anterior ao seu surgimento, o período medieval, em que as terras estavam divididas entre a nobreza, assim como as armas na possa desses senhores, e a figura da Igreja possibilitando o poder meramente formal das dinastias francesas, o início da modernidade com o surgimento do Estado Nacional Francês necessitou convergir, para a mão de um único governante, todos esses monopólios. As terras, anteriormente divididas, foram reclamadas, as armas precisaram prestar total lealdade e submissão ao monarca, assim como a arrecadação dos impostos convergiram diretamente à coroa, permitindo a centralização e a efetivação do poder nas mãos do governante. Qualquer apelo racional, através do discurso, pela revisão das decisões ou qualquer contestação da autoridade centralizada do governante implica a total dissolução da lógica que fundamenta este tipo de governo: o absolutismo.

Parece que essa contradição inviabiliza a coexistência da fundamentação de um governo na razão e a centralização absoluta do poder na figura de um único indivíduo, na medida em que o exercício da razão confere poder à persuasão através do discurso, e não à autoridade centralizadora de um monarca. A persuasão através do discurso causa descentralização do poder. Tratar-se-ia de uma contradição lógica. Não é o discurso, mas é o medo, a fome e a insegurança que decorrem da efetivação dos monopólios da violência, da economia e das terras, sustentando, por conseguinte, a autoridade centralizadora e totalitarista. Como conciliar o totalitarismo, com sua centralização do poder, e o logos, com sua descentralização do poder?

Não parece haver espaço para isso. Nessa passagem, esses dois personagens, no caso o monarca e o pequeno príncipe, discutem, de modo implícito, os fundamentos que possibilitam a reflexão acerca das relações políticas entre os indivíduos a partir desses dois fundamentos antagônicos que sustentam essas duas estruturas organizacionais da sociedade: de um lado, a racionalidade e a liberdade, que possibilitam o agir moral, a política e a cidadania, e, de outro, o autoritarismo e a total submissão, que removem a cidadania — dado que não há cidadãos, mas súditos — e inviabilizam qualquer possibilidade de prática política e de deliberação moral para uma vida melhor, o tão buscado “bem viver”.

Há, com efeito, espaço para muita reflexão a partir desse problema, assim como para enxergar uma possibilidade de coexistência entre governos menos centralizados do que os “absolutistas” e totalitaristas em geral e uma fundamentação racional da vida prática. Por outro lado, a coexistência entre um totalitarismo absoluto e uma fundamentação racional da vida prática parece, de longe, não fazer parte de uma estrutura viável e realizável de política — não seria antipolítica? —, nem mesmo em qualquer cenário logicamente imaginável.

 

Indicações de leitura:

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. 48. ed. Tradução de Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

ELIAS, Norbert. Sobre a sociogênese do Estado. In: O Processo Civilizador. Volume 2: Formação do Estado e Civilização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. 20. ed. Tradução de Ísis Borges B. da Fonseca. Rio de Janeiro: Difel, 2011.

* Escolhi este subtítulo porque achei pretensioso demais querer analisar “O Pequeno Príncipe e a filosofia” na totalidade que o título sugere. Também o escolhi para deixar em aberto a possibilidade de, futuramente, fazer uma segunda análise filosófica do livro, mais madura e mais abrangente.

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